Todo mundo olha para o ship chandler como quem vende. A maior parte do nosso dia é comprando.

Só em agosto, nossa equipe falou com mais de 400 fornecedores. Boa parte deles a gente cota sem precisar de nada naquele momento, e isso é de propósito.

A parte do trabalho que o cliente nunca vê

Do lado de fora, o trabalho parece simples: chega a lista, sai a cotação, entrega no cais. Do lado de dentro, o que ocupa o dia é a compra, e é ela que define a qualidade do que o navio recebe.

Preço, procedência, prazo real e capacidade de reposição não estão num catálogo. Estão no relacionamento com quem fornece, e esse relacionamento leva meses para existir.

Cotar sem precisar é de propósito

Cotar um item que não está em nenhum pedido parece desperdício de tempo. É o contrário. Cada cotação sem urgência gera três informações que só servem depois: quem tem de verdade, quanto custa fora de emergência e em quanto tempo entrega.

Quando a urgência aparece, essas três respostas já estão prontas. Quem só cota quando precisa descobre o mercado no pior dia possível, e paga o preço de quem descobre tarde.

Segunda e terceira opção não se acham sob pressão

O cenário que decide tudo é este: o fornecedor confirmado avisa na véspera que está sem estoque. O navio não espera a gente recomeçar a busca.

Nessa hora, ou a segunda e a terceira opção já estavam mapeadas, ou não existe solução dentro da janela da escala. Não dá para construir alternativa em cima da hora, com o relógio da escala correndo e o material tendo que passar por conferência, transporte e liberação de acesso ao cais.

Quando dá errado, o custo é nosso

E dá errado. Ruptura de estoque, lote reprovado na conferência, transporte que atrasa. Faz parte.

A regra da casa é simples: quando acontece, o custo é nosso e não é repassado ao cliente. Item confirmado é item entregue, mesmo quando aquele serviço dá prejuízo.

É essa regra que torna a rede de fornecedores um investimento e não uma burocracia. Quem repassa o problema para o cliente não precisa de plano B. Quem assume o custo, precisa.

O que perguntar ao seu fornecedor antes da próxima escala

Quatro perguntas que separam quem tem estrutura de compra de quem apenas revende o primeiro preço que encontrou.

  1. Quantos fornecedores você tem para essa categoria? Se a resposta for um, o risco do navio é o estoque de um terceiro.
  2. Existe segunda opção mapeada para este item? Pergunte antes de confirmar o pedido, não depois do problema.
  3. Se o seu fornecedor furar, quem absorve o custo da alternativa? A resposta a essa pergunta é o contrato de verdade.
  4. Em quanto tempo você consegue trocar a origem do item sem perder a janela? Prazo de reposição é diferente de prazo de entrega.

Conclusão

A entrega que acontece sem sobressalto não é sorte nem eficiência de última hora. É o resultado de centenas de conversas com fornecedores que aconteceram semanas antes, quando ninguém estava com pressa.

Tem escala programada em Suape, Recife, Maceió ou Cabedelo? Envie a lista e o ETA, e compare o retorno com o que você recebe hoje.

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